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Cobrapol se reúne com Ministérios da Justiça e da Saúde para dialogar sobre saúde mental dos policiais

Depressão, ansiedade, cansaço, assédio moral e sexual. Esses são apenas alguns dos fatores que prejudicam a saúde mental dos policiais civis em todo o país. Recentemente, chamou a atenção o caso ocorrido em Camocim (CE), em que um policial matou quatro colegas dentro de uma unidade prisional. Entidades sindicais, parlamentares e autoridades do governo buscam medidas para melhorar a qualidade de vida dos profissionais e diminuir os índices de adoecimento mental. 

Reunião no Ministério da Saúde.

A Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapol) tem acompanhado a pauta. A convite do deputado estadual do Rio Grande do Sul Leonel Radde (PT), a entidade participou de duas reuniões, na última segunda-feira (5), no Ministério da Saúde e Ministério da Justiça e Segurança Pública. O resultado foi positivo e as duas pastas se dispuseram a dar engajamento no tema e buscar políticas públicas de prevenção e combate às causas do adoecimento mental.

“Com a ajuda do deputado Leonel Radde, foi possível dialogar sobre causas e consequências do problema e entender das duas pastas quais os caminhos que esses órgãos irão, junto com as representações policiais, caminhar para que possamos tratar os policiais no Brasil”, ressaltou o presidente da Cobrapol, Adriano Bandeira. 

Bandeira acredita que o assunto ganhará força nos próximos meses. “Precisamos olhar com mais atenção para os nossos policiais, que vivem dia a dia sob a tensão e o estresse em virtude do perigo que correm. Precisamos, urgentemente, combater o assédio moral e sexual dentro das instituições. Para isso, é necessário que o Estado intervenha. Já passou da hora desses profissionais serem mais valorizados”, destacou. 

De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 34 policiais civis da ativa cometeram suicídio no Brasil entre 2020 e 2021. Segundo a publicação, 63,5% dos profissionais da segurança (policiais civis e militares) foram vítimas de assédio moral ou humilhação no ambiente de trabalho. 

Para a vice-presidente do Sinpol-GO e psicanalista clínica, Eufrasia Campos, é urgente que haja políticas públicas para tratar a questão. “Precisamos de políticas que, de fato, possam acolher, prevenir e restabelecer a saúde do policial. Adoecido mentalmente, ele não consegue produzir, não fica bem em qualquer situação. Pelo contrário, até piora o ambiente inteiro. O assédio é um dos grandes pivôs desse adoecimento, que leva a um desdobramento desse desequilíbrio, podendo levar ao suicídio”, afirmou. 

Reunião no Ministério da Justiça e Segurança Pública.

No Ministério da Saúde, estiveram presentes na reunião o diretor do Programa da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde, Aristides Vitorino, o coordenador geral de Atenção Especializada, Rodrigo Cariri e o médico Marcelo Kimati. No Ministério da Justiça, a reunião foi com a diretora do Sistema Único de Segurança Pública, Isabel Figueiredo, além do vice-presidente da Cobrapol, Iramir Lima, o presidente da FenaPRF, Dovercino Neto, e o diretor da FenaPEF Flavio Werneck. 

“Foi muito importante essa relação que criamos com o Ministério da Justiça e Segurança Pública e também com o Ministério da Saúde. É muito importante ter a Cobrapol, a FenaPEF e a FenaPRF, instituições que representam as polícias no Brasil”, disse. “Hoje temos uma situação dramática envolvendo suicídios e o adoecimento mental dos nossos policiais. Mas é importante que as entidades, junto ao Ministério da Justiça e Ministério da Saúde, estejam trabalhando em prol de todos os agentes”, finalizou o deputado estadual Leonel Radde. 

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