NOTA DE REPÚDIO

A COBRAPOL manifesta publicamente seu repúdio às manifestações do Desembargador Lourival Trindade, presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), expressas durante a solenidade de posse dos novos juízes substitutos aprovados no último concurso.

Numa manifestação típica de quem pouco refletiu sobre o que falou, disse o magistrado, dirigindo-se aos novos juízes:

Não queiram ser o vingador da sociedade. Esse punitivismo exagerado, como se o juiz fosse o policial movido por uma fúria, uma sanha perversa de vingança. Não queiram ser assim. Ainda que o nosso sistema judiciário e a própria opinião pública pensem dessa forma, V.Exas não são acusadores, V.Exas são julgadores imparciais, não são carrascos das partes, não são algozes”. (veja o vídeo abaixo)

No mínimo, repugnante para um magistrado a descabida associação dos policiais brasileiros ao “punitivismo”, muito mais ainda à ”fúria”, “sanha perversa de vingança”, “carrascos das partes” ou “algozes”.

O que motiva o policial brasileiro, seja de qualquer uma das áreas da segurança pública nacional, é o compromisso em servir da melhor forma possível a sagrada missão de proteger a sociedade e o cidadão, tendo que cumprir, às vezes, decisões judiciais, estas sim, motivadas pelos qualificativos apontados pelo presidente TJ-BA. Eventuais excessos ou descaminhos ocorrem não apenas na ação policial, mas também no exercício da magistratura, como vemos com muita frequência no noticiário.

Além disso, mesmo, muitas vezes, atuando em condições adversas, diante de instituições sucateadas e situações de trabalho precárias, o policial jamais é movido pela “fúria”, “a sanha de vingança”, muito menos incorpora a condição de “algoz” ou “carrasco das partes”. Talvez o magistrado, ao fazer uso de expressões tão deploráveis, tenha se inspirado na ação de alguns membros de sua própria instituição, cometendo grave injustiça com os policiais brasileiros.

Fica o registro de nosso repúdio, esperando que manifestações generalistas como essas não se repitam.

Brasília (DF), 23 de dezembro de 2020

ANDRÉ LUIZ GUTIERREZ

Presidente da COBRAPOL

COBRAPOL RECHAÇA MANIFESTAÇÃO IRRESPONSÁVEL, LEVIANA E MESQUINHA DE DELEGADO DE MATO GROSSO

A COBRAPOL vem a público repudiar as recentes manifestações do delegado Fernando Flávio Stringueta, coordenador do GCCO, órgão da Polícia Civil de Mato Grosso encarregado de investigar as graves denúncias de ameaça à vida das policiais civis Edleusa Mesquita, presidente do SINPOL-MT, e Débora Aguiar, Tesoureira da entidade.

Nos dias 24 e 25 de novembro, juntamente com demais dirigentes da COBRAPOL e da FEIPOL-CON, estivemos na capital mato-grossense com o objetivo de solicitar das autoridades locais a apuração rigorosa dessas ameaças, a partir de fortes indícios relacionados a prisões ocorridas, naquele Estado, no dia 12 de novembro, de policiais fortemente armados e a informações de que os mesmos estariam planejando um atentado contra as policiais.

Saímos de Cuiabá com o compromisso dessas autoridades de investigar a fundo os lamentáveis acontecimentos, no entanto, agora, o delegado Stringuetta, responsável pelo órgão que apura o fato, fez uma série de declarações, já devidamente rechaçadas pela presidente da FEIPOL-CON, Marcilene Lucena, que merecem também nosso repúdio, pela sua mesquinhez, irresponsabilidade e leviandade.

O aludido delegado “descartou” liminarmente qualquer possibilidade de que Edleusa Mesquita e Débora Aguiar tenham sido ameaçadas mesmo antes da conclusão das investigações, desqualificando os autores da denúncia. Como responsável maior pelo órgão que conduz as investigações, deveria, por uma questão de responsabilidade, esperar a conclusão do inquérito, a não ser que não esteja disposto de ir a fundo nas apurações, temeroso pelo seu desfecho. Além de irresponsabilidade, essa atitude tem outro nome no serviço público: prevaricação!

O delegado também foi leviano e mesquinho quando afirmou que as policiais promoveram uma verdadeira “balbúrdia” ao mobilizarem o “sindicato nacional” da categoria, referindo-se à COBRAPOL, e a FEIPOL-CON, o que ocorreu tão-somente com o objetivo de reforçar as providências solicitadas às autoridades estaduais e repudiar toda e qualquer ameaça à integridade física das dirigentes sindicais, aconteçam em qualquer parte do território nacional.

Esperamos que a Direção Geral da PC de Mato Grosso tome providências em relação às infelizes declarações do delegado Stringuetta que, por si só, representam uma agressão à própria Polícia Judiciária, às policiais que foram vítimas da ameaça e às entidades que representam a categoria no Estado, na região e no país. Da mesma forma, apelamos ao Ministério Público para atuar no sentido de não permitir que posturas como essa comprometam o bom desfecho da investigação, doa a quem doer.

Brasília (DF), 30 de novembro de 2020

ANDRÉ LUIZ GUTIERREZ
Presidente