FGV/IBRE: desigualdade de renda atinge o pior patamar dos últimos sete anos

A desigualdade de renda dos trabalhadores brasileiros atingiu no primeiro trimestre de 2019 o maior patamar desde o começo da série histórica, em 2012, segundo sondagem do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/IBRE).

De acordo com o estudo do IBRE, divulgado na terça-feira (21), a desigualdade no mercado de trabalho aumentou pelo 17º trimestre consecutivo e alcançou seu maior nível em pelo menos sete anos. O índice de Gini, que mede a renda do trabalho per capita, alcançou 0,627. Quanto mais perto de 1, maior é a desigualdade.

De acordo com o pesquisador da área de Economia Aplicada do FGV IBRE, Daniel Duque, a desigualdade da renda subiu quando se observa a renda individual do trabalhador e também a renda por domicílios.

“As oscilações na relação entre a renda média dos 10% mais ricos e dos 40% mais pobres indicam que desde novembro de 2015 essa desigualdade vem subindo. De acordo com o levantamento, a variação acumulada real da renda média entre os mais ricos (10% da população) e os mais pobres (40% da população) mostra que, no período pré-crise (até 2015), os mais ricos tiveram aumento real de 5% e os mais pobres, o dobro, 10%.

Depois do pós-crise, a renda acumulada real dos mais ricos aumentou 3,3% e a dos mais pobres caiu mais de 20%. Observando-se toda a série histórica, desde 2012, a renda real acumulada dos mais ricos aumentou 8,5% e a dos mais pobres caiu 14%”, diz nota do IBRE.

A alta da desigualdade no primeiro trimestre de 2019 é mais um reflexo da estagnação econômica que passa o país, aprofundada no governo Bolsonaro, quando todos os indicadores econômicos ficaram no vermelho no três primeiros meses do ano: produção industrial, vendas do comércio varejista, volume de serviços e o emprego – são 13,4 milhões de brasileiros desempregados no trimestre encerrado em março.

Nesta segunda-feira (20), o boletim Focus do Banco Central (BC) voltou a derrubar pela 12ª vez consecutiva a estimativa de crescimento da economia em 2019. A previsão para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 1,45% na semana passada para 1,24%. Em janeiro, a previsão de alta do PIB para este ano era de 2,4%.

Institutos e bancos já apontam para recessão no primeiro trimestre deste ano.

Fonte: Portal HP

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