Milhares de Policiais ocupam as ruas de Porto Alegre contra o Pacote do Sartori/PMDB

Nesta terça-feira (13), as ruas de Porto alegre foram palco de mais uma demonstração de força dos policiais civis gaúchos. Cerca de 4.000 agentes da polícia civil realizaram uma grande caminhada pelas ruas da capital, demonstrando seu repúdio às medidas do Pacote de Maldades do governo Sartori/PMDB, além de protestar contra o parcelamento dos salários do servidores públicos estaduais.

Assembleia aprova paralisação para os dias de votação do Pacote

Antes de realizarem a 3ª Marcha da Segurança Pública, os policiais se reuniram em Assembleia na frente do Palácio da Polícia. A concentração, marcada para as 12h, aconteceu debaixo de um sol forte. Apesar do intenso calor, os policiais, aos poucos, foram lotando a frente do Palácio. Em cima do carro de som, representantes dos policiais utilizavam da palavra para relatar o grande descontentamento da categoria diante do descaso do governo estadual com a Segurança Pública. A avaliação sobre o Pacote de Maldades do Sartori/PMDB, era unânime: é um dos maiores ataques ao povo gaúcho na história do RS. As principais queixas se concentravam na PEC que retira da Constituição Estadual a obrigação do governo em pagar os salários no mês trabalhado e o 13º salário no mesmo ano. Os recorrentes parcelamentos também foram alvo de severas críticas dos presentes.

Após o pronunciamento de representantes de d
iversas regiões policiais do interior, POA e Região Metropolitana, a direção da UGEIRM iniciou o processo de votação das propostas que foram aprovadas por aclamação. Veja abaixo as deliberações:

– Paralisação dos trabalhos durante os dias em que ocorrerem a votação do Pacote do Sartori/PMDB;

– Boicote às operações policiais a partir de hoje, até a finalização do processo de votação do Pacote. Nenhum agente deverá participar de operações enquanto o pacote não for votado. A avaliação da assembleia é de que o governo tenta melhorar sua imagem em cima do trabalho dos policiais, sendo que para combater a criminalidade são necessárias outras medidas, como investimentos.

– Repúdio à Reforma da Previdênc
ia do governo Temer/PMDB;

– Indicativo de greve

– Envio de caravanas a Brasília para pressionar o Congresso contra a Reforma da Previdência.

Nem o sol a pino conseguiu desanimar a Marcha dos Policiais

Após as votações, os policiais saíram em caminhada, ainda debaixo de muito sol, em direção ao Palácio Piratini. A imagem que se via era de emocionar e animar os manifestantes. Um mar de manifestantes vestidos com a camisa da Polícia Civil ocupava uma
grande extensão da Avenida João Pessoa, gritando Fora Sartori e demonstrando sua capacidade de luta. Em vários momentos, a marcha foi aplaudida pelas pessoas que passavam ou observavam da sacada dos prédios. De cima do carro de som, os dirigentes da UGEIRM explicavam para a população os motivos da manifestação. Explicavam o que vem sofrendo os policiais e alertavam que, se os policiais não estavam na rua para realizar seu trabalho e sim para protestar, a culpa era do Sartori/PMDB. Além disso, os manifestantes explicavam que aquela não era apenas uma Marcha em defesa dos direitos dos servidores públicos, mas também contra o desmonte da segurança pública, que tem levado tanta violência para os gaúchos, e contra o Pacote de Maldades do Sartori/PMDB. Essas medidas não vão resolver a crise financeira do estado. Pelo contrário, só irá agravar a situação, causando mais recessão e diminuindo a atividade econômica, tendo como consequência o aprofundamento da crise.

Policiais chegam na frente do Palácio Piratini, mesmo com cercas colocadas pelo governo

A Marcha acabou na Praça
da Matriz, onde os manifestantes se uniram às outras categorias de servidores públicos. Ao chegar na frente do Palácio Piratini, a Marcha se deparou com várias cercas colocadas para impedir que os manifestantes se aproximassem da entrada do Palácio e da Assembleia Legislativa. O governo Sartori/PMDB mostrou, mais uma vez, que tem medo do povo organizado. Encastelado em seu gabinete, trata a população como se fosse um inconveniente nas suas planilhas. Porém, os servidores públicos mostraram, mais uma vez, que não aceitarão o papel de coadjuvantes. Com a convicção que aquele Palácio é do povo gaúcho e não do Sartori/PMDB, os manifestantes derrubaram as cercas que os separavam da entrada e foram até a porta do Palácio exercer seu direito de protestar.

O Batalhão de Choque da Brigada Militar, que não participava da manifestação, teve, desta vez, uma atitude prudente ao não reagir com b
ombas e recuar para uma distância segura. Apesar do clima de tensão, o Ato dos servidores foi realizado, de forma pacífica, com os manifestantes na porta do Palácio Piratini, numa demonstração que Sartori e seu partido não são donos do estado.

Na semana que vem a mobilização será maior ainda

Na segunda-feira (12), o governo começou uma grande mobilização na Assembleia Legislativa para votar o Pacote já nesta quinta-feira (15). Porém, a oposição conseguiu barrar a manobra, ao pedir uma questão de ordem e inviabilizar o acordo e a manobra, com a votação ficando para a próxima semana. Para o presidente da UGEIRM, Isaac Ortiz, “Sartori e seu partido, o PMDB, sabem que quanto menos discussão, melhor para eles. Por isso tentam, de todas as formas, realizar a votação sem debate e sem a presença do povo na Assembleia Legislativa. Os gradis que cercavam a Assembleia e o Palácio Piratini, são símbolos da falta de diálogo e da prepotência desse governo autoritário. Por isso, o ato de hoje teve um valor e um significado tão grande. Ao derrubar as grades, os servidores mostraram que não vão se curvar à prepotência do governo
. No dia da votação estaremos na Praça da Matriz e nas galerias da Assembleia Legislativa, que é a Casa do povo gaúcho, a nossa casa. Não serão grades que irão nos deter. Esperamos que o governador e a presidenta da Assembleia Legislativa tenham responsabilidade e não tentem deixar o povo do lado de fora. Hoje os policiais já mostraram que não aceitarão isso”, concluiu Ortiz.

Sindicatos expressam descontentamento com proibição de acesso às galerias

Em reunião com os deputados, as entidades sindicais expressaram sua contrariedade à proibição do acesso ao plenário durante as votações. Foi dito aos deputados, que essa atitude não faz parte da cultura política do nosso estado. Em várias votações importantes, os servidores e a população ocuparam as galerias, de forma respeitosa, e expressaram suas opiniões para os representantes do povo. O vice-presidente da UGEIRM, Fábio Castro, lembra que “esse tipo de atitude começou com a presidência do deputado Edson Brum na Assembleia Legislativa. No ano passado, votações importantíssimas foram feitas com as galerias vazias. Isso é um desrespeito com as pessoas que elegem seus representantes e pagam seus salários. Os deputados devem
satisfação aos seus eleitores. Aquela Casa é do povo e não dos deputados. Deixamos claro para o deputado Adilson Troca, vice-presidente da Assembleia, que não aceitaremos que a Assembleia seja novamente sitiada. A democracia pressupõe o contraditório e essa atitude atenta contra esse princípio básico da democracia. Não existe estado democrático sem a presença do povo”.

Fonte: UGEIRM Sindicato