8 de março: “um” Dia Internacional da Mulher

8 de março: “um” Dia Internacional da Mulher
“Um” dia para se lembrar, os outros para se lutar e todos para se respeitar.

Por Aline Risi
Escrivã da Polícia Civil de Minas Gerais
Mestre em Comunicação e Bacharel em Direito
Diretora de Comunicação Social da Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis – Cobrapol
Secretária-Geral da Federação Interestadual de Trabalhadores Policiais Civis da Região Sudeste – Feipol

O dia 8 de março foi escolhido historicamente para se comemorar a importância da mulher e de sua luta durante décadas. Porém, há o que se contestar acerca deste dia, inclusive contextualizando-o com a nossa realidade. Ora, como comemoramos o dia da mulher, em apenas um, se coexistimos numa sociedade altamente machista, em que nos demais dias do ano ela morre por sua condição, sofre nas mãos de parceiros num relacionamento, é assediada em seu trabalho, é desrespeitada nas ruas, dentre outras situações constrangedoras? Mais ainda, será que este dia deveria ser comemorado mesmo, e pelo o quê? Ou lembrado de que as mulheres, diuturnamente, lutam para ocupar seu espaço e o respeito, notadamente, em sua vida pessoal e profissional.

Não escrevo este artigo somente por ser mulher, mas por já ter sofrido violência doméstica, por ter sido desrespeitada como mulher e como ser humano. Escrevo por lutar dia a dia não somente por minha categoria, mas por minha profissão e por minha família, sustentando-a com o meu esforço. Escrevo este artigo para mostrar ao mundo o que já está aos olhos nus, ou seja, a importância da mulher para a humanidade, o desrespeito e a violência que imperam, e o quanto este “dia internacional” poderia se estender a todos os outros 364 dias do ano, com o verdadeiro reconhecimento desta criatura, que dá a vida a todos, que se chama mulher.

É importante ressaltar que neste momento em que escrevo este artigo, muitas mulheres estão sendo desrespeitas, assediadas, violentadas, ameaçadas e mortas, e ao contrário do que muitos pensam, não é bonito termos delegacias especializadas de crimes contra a mulher, abarrotadas de inquéritos para apuração e varas especializadas, se o que na verdade, deveria ser feita a prevenção destes crimes com a educação da própria sociedade.

Infelizmente, a situação chegou ao extremo, a ponto de o legislador ter que alterar o Código Penal, com a tipificação mais severa para o homicídio praticado contra a mulher, em razão de sua condição, chamado feminicídio. Porém, nem assim a aplicação da penalidade é eficiente, e o resultado são os criminosos soltos. As medidas protetivas também requeridas pelas mulheres não são efetivas, como a distância determinada pelo juiz, no momento em que o homem pode se aproximar e ceifar a vida da vítima, o que não raros foram os casos.

É fato que para toda a violência doméstica, física, psicológica, moral e institucional, além do assédio contra a mulher, dentre outros crimes, temos a lei, ainda que comprovadamente não funcione, bastando ver o crescente número de feminicídios no Brasil, fazendo deste, o País com a quinta maior taxa do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Mas o que quero dizer que há algo que nem sequer se pune o chamado machismo estrutural, que permeia nossa sociedade de forma velada, inserido no comportamento preconceituoso nas relações de trabalho e pessoais. São piadas e formas de tratamento que nitidamente discrimina a mulher em seu ambiente, além da discriminação em não contratar uma mulher, por ela poder engravidar um dia e ficar em licença, ou o salário ser reduzido apenas pela sua condição, em comparação a um homem, num mesmo cargo, e outros diversos casos.

Mas, enfim, ainda com tudo o que expressei, nós, mulheres, lutamos dia a dia e merecemos respeito, merecemos atenção, carinho e amor em todos os dias do ano, pois somos guerreiras. Nós somos responsáveis pela missão de manter a raça humana, gerando e dando a vida a um ser. Cuidamos de nossos filhos e de nossa família, trabalhamos, somos filhas, mães, irmãs, amigas, chefes, profissionais eficientes e políticos competentes. E o que tenho para falar é que temos que continuar lutando por nossa liberdade de nos vestir da forma como queremos, de nos portar da forma queremos, de querermos assumir o comando de empresas, instituições e do País. Por isso digo que o dia da mulher são todos e o 8 de março é apenas um dia a ser lembrado sobre tudo o que passamos e tudo o que lutamos.

Hoje vencemos mais uma batalha. Parabéns!

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